Boletim do Câncer

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Diretrizes de terapias integrativas no câncer de mama

Doutor Ricardo Caponero

A ASCO endossou a diretriz da Sociedade para Oncologia Integrativa (SIO) sobre o uso de terapias integrativas durante e após o tratamento do câncer de mama. O documento avalia o grau de evidência de práticas integrativas para o manejo de sintomas e efeitos adversos como ansiedade, stress, transtornos de humor, fadiga, náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, linfedema, neuropatia periférica induzida por quimioterapia, dor, e distúrbios do sono. O oncologista Ricardo Caponero (foto), coordenador do Centro avançado de Terapia de Suporte e Medicina Integrativa do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, comenta o trabalho.

A oncologia integrativa compreende o uso de terapias complementares ao tratamento convencional do câncer que englobam uma série de práticas mentais e corporais, produtos naturais e modificações no estilo de vida, e são comumente usadas por pacientes e sobreviventes de câncer de mama.

Embora as evidências permaneçam limitadas para muitas dessas terapias, um número crescente de estudos randomizados controlados bem conduzidos sugere que algumas terapias podem melhorar o manejo dos sintomas e efeitos adversos do câncer de mama e seu tratamento. Os estudos também destacam terapias que não proporcionam nenhum benefício ou representam um risco para os pacientes.

“Utilizadas como opções complementares integradas ao tratamento convencional, essas técnicas podem melhorar qualitativa e quantitativamente os resultados. A questão agora é fugir das

inevitáveis deturpações, nem para a falta, nem para o excesso, e buscar evidências que possam dar o respaldo adequado para essas práticas, como as estabelecidas nessas diretrizes apresentadas pela ASCO”, afirma Caponero.

Para resumir as evidências disponíveis para os clínicos e fornecer orientação baseada em evidências sobre o uso de terapias integrativas durante e após o tratamento do câncer de mama, a Society for Integrative Oncology (SIO) publicou uma diretriz de prática clínica atualizada em 2017.

A diretriz da SIO considerou ensaios clínicos randomizados publicados de 1990 a 2015. Agora, um Painel de Especialistas da ASCO convocado para revisar as recomendações da diretriz SIO em relação à precisão clínica e rigor metodológico determinou que as recomendações são claras, completas e baseadas nas evidências científicas mais relevantes, e destacou alguns pontos de discussão adicionais.

Recomendações

O guideline recomenda a meditação (Grau A), musicoterapia (Grau B), yoga (Grau B), acupuntura, massagem e relaxamento (Grau C) para reduzir a ansiedade. A meditação, particularmente a redução do stress baseada em mindulfness, é recomendada para o tratamento da distúrbios do humor e dos sintomas depressivos (Grau A), assim como o relaxamento (Grau A), ioga (Grau B) e acupuntura (Grau C). Massagem e musicoterapia são indicadas especificamente para o controle de distúrbios de humor.

A acupressão (Grau B), eletroacupuntura (Grau B), gengibre e relaxamento (Grau C) podem ser considerados como possíveis acréscimos aos medicamentos antieméticos para controlar náuseas e vômitos durante a quimioterapia. No entanto, a ASCO observa que as recomendações de Grau B para acupressão e eletroacupuntura diferem das diretrizes antieméticas ASCO 2017, que afirmam que as evidências permanecem insuficientes para uma recomendação a favor ou contra terapias complementares para náusea e vômito induzidos por quimioterapia. O Painel de Especialistas da ASCO acredita que grau C seria mais apropriado dadas as limitações das evidências disponíveis. Em relação à glutamina, o documento não recomenda seu uso para melhorar a náusea e o vômito durante a quimioterapia (Grau D).

Para melhorar a fadiga durante o tratamento, a hipnose e o ginseng podem ser considerados (Grau C). No entanto, a ASCO alerta que a segurança e a eficácia do ginseng podem variar de acordo com o tipo de ginseng, e os pacientes devem buscar orientação de um profissional de saúde antes de usar um suplemento dietético. Para a fadiga pós-tratamento, a recomendação é acupuntura e ioga (Grau C). O documento ressalta que a Acetil-L-carnitina e guaraná não devem ser recomendados para melhorar esse sintoma (Grau D). A acetil-L-carnitina também não é recomendada para a prevenção de neuropatia periférica induzida por quimioterapia em pacientes com câncer de mama devido a dano potencial (Grau H).

Para pacientes com linfedema, são indicadas terapia com laser de baixa intensidade, drenagem linfática manual e bandagem compressiva (Grau C). No manejo da dor, acupuntura, hipnose e musicoterapia podem ser considerados (Grau C). A acupuntura também pode contribuir para aliviar sintomas vasomotores e fogachos (Grau C). Já o uso da soja não traz efeitos em relação aos fogachos e seu uso é desaconselhado.

Caponero acrescenta que existe a preocupação de garantir a qualificação de quem executa essas práticas. “É preciso certificar a adequação do procedimento para que não se torne uma opção para reduzir custos, sendo utilizadas em lugar de procedimentos mais dispendiosos”, ressalta.

Mais informações estão disponíveis em www.asco.org/supportive-care-guidelines. A diretriz da SIO está disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.3322/caac.21397/epdf.

Referência:

Integrative Therapies During and After Breast Cancer Treatment: ASCO Endorsement of the SIO Clinical Practice Guideline – Gary H. Lyman, Heather Greenlee, Kari Bohlke, Ting Bao, Angela M. DeMichele, Gary E. Deng, Judith M. Fouladbakhsh, Brigitte Gil, Dawn L. Hershman, Sami Mansfield, Dawn M. Mussallem, Karen M. Mustian, Erin Price, Susan Rafte, and Lorenzo Cohen – DOI: 10.1200/JCO.2018.79.2721 Journal of Clinical Oncology – published online before print June 11, 2018

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