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Medicações orais em quimioterapia

Por Ricardo Caponero

O oncologista Ricardo Caponero, coordenador do Centro avançado de Terapia de Suporte e Medicina Integrativa do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, comenta os desafios decorrentes da disponibilização do acesso às medicações antineoplásicas orais, entre eles o gerenciamento de eventos adversos e a preocupação com a adesão ao tratamento.

A disponibilização do acesso às medicações antineoplásicas orais continua sendo imprescindível para que se possa ofertar aos nossos pacientes o que há de mais moderno no tratamento antineoplásico.

Tivemos algum progresso, mas ainda há muitos medicamentos disponíveis fora do Brasil e que demoram muito tempo para chegar ao mercado privado e de saúde suplementar, e mais ainda no âmbito do SUS.

A disponibilidade desses novos medicamentos, na verdade, novas classes terapêuticas, mesmo que ainda limitada, trouxe consigo algumas dificuldades clínicas. Nem vamos falar aqui das financeiras.

Como novas classes terapêuticas, essas medicações apresentam uma nova gama de eventos adversos que foge dos efeitos colaterais que os oncologistas sabiam prever e tratar. Isso envolveu um novo aprendizado.

Há muita preocupação com a adesão dos pacientes ao tratamento, fato extremamente relacionado com a capacidade do oncologista em lidar com os eventos adversos dessas medicações. Além dos novos eventos adversos, também se observou uma diversidade dos mesmos, intensificada pela grande quantidade de interações medicamentosas, tanto com outros medicamentos como com a alimentação e com terapias complementares utilizadas pelos pacientes.

Vale ressaltar que por serem medicações novas, com um número relativamente pequeno de pacientes expostos, nem todas as interações são conhecidas, devendo aumentar de número com o passar do tempo.

O gerenciamento da quimioterapia oral também é fundamental. Em função de eventos adversos não adequadamente controlados, e por razões diversas, parte significativa dos pacientes não apresenta adesão plena ao tratamento, suspendendo ou reduzindo doses, ou simplesmente abandonando-o.

O Congresso a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, neste ano, mostrou a importância da busca ativa de sintomas e seu adequado manejo. Nesse sentido, não há dúvidas de que o controle das interações medicamentosas e da adesão ao tratamento são fundamentais para se otimizar os resultados de sobrevida global.

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