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Não basta cortar carboidratos – Riad Younes

Não basta cortar carboidratos. Estudo adverte: dietas extremadas trazem tanto risco de morte, quanto a gordura e a vida sedentária.

Dietas com cortes drásticos na quantidade de carboidratos ingeridos continuam na moda, para pessoas obesas ou com sobrepeso. Sem dúvida, eliminar os carboidratos da dieta diária, ajuda a perder peso de forma intensa e consistente.

A curto prazo haverá objetivos conquistados. No entanto, os cientistas têm discutido os efeitos desse tipo de restrições sobre a evolução da saúde dos pacientes e sobre a mortalidade em prazos mais longos.

Um estudo recentemente publicado na revista Lancet Endocrinology, por uma equipe de pesquisadores do projeto Risco de Arterosclerose na Comunidade (ARIC, em inglês), liderados pela doutora S. B. Seidelmann e financiado pelos institutos nacionais de saúde dos EUA, avaliou o impacto de dieta baixa em carboidratos na mortalidade de voluntários adultos.

Viram que os resultados a longo prazo são muito diferentes, a depender de a pessoa substituir os carboidratos por proteínas e gorduras oriundas de animais ou de plantas. Vejamos o estudo e as conclusões dos cientistas:

Mais de 15.400 voluntários adultos, com idade variando entre 45 e 64 anos, foram incluídos na pesquisa, contendo informações detalhadas a respeito da dieta de cada indivíduo, a quantidade de carboidratos ingerida diariamente, além da qualidade dos alimentos que substituíram as calorias dos carboidratos.

Separaram em substituição por proteínas e gorduras de origem animal ou vegetal.

Após um seguimento longo, de mais de 25 anos, os cientistas registraram 6.283 mortes por diferentes causas. Correlacionaram a porcentagem das calorias ingeridas por dia, que se originaram dos mais variados carboidratos, com os óbitos e notaram que a curva do risco de morte tinha o formato da letra U.

Ou seja, mortalidade elevada nos dois extremos do consumo de carboidratos como fonte de calorias: muito baixa ingesta (menor que 40%) e muito alta ingesta (maior que 70%) foram associadas com maiores índices de mortalidade a longo prazo. Essas dietas exageradas, nos dois extremos, aumentaram os riscos de morte em 20% a 23%.

Os resultados ficaram mais interessantes quando se analisaram as dietas de baixa concentração de carboidratos com relação à substituição das calorias: quando os voluntários aumentaram a ingestão de proteínas e gorduras de origem animal (como carne de frango, de boi ou de porco), o risco de óbito aumentou em 18%, enquanto a substituição por proteínas e gorduras de origem vegetal (como verduras, frutas, grãos, nozes, amendoim) reduziu o risco de morte em 17%.

Concluíram os cientistas que vale a pena restringir carboidratos, para rapidamente controlar obesidade e sobrepeso.

Mas, se essa restrição se tornar rotineira, e mantida por muito tempo, a atenção tem de ser redobrada para a composição dos alimentos que substituirão as calorias. Melhor optar por um aumento de proteínas e gorduras de origem vegetal, e menos de origem animal.

No entanto, os autores do estudo não conseguiram determinar, nesta pesquisa, o impacto da proteína de peixe. Parece que, após muitos anos, não somente o peso diminui, mas também as chances de morte se reduzem claramente com esta estratégia.

Médico, Diretor-geral do Centro de Oncologia, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor da Faculdade de Medicina da USP.

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