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Uma revolução no tratamento do câncer

Raras vezes temos duas extraordinárias novidades em menos de uma semana. E ambas podem ajudar a resolver problemas extremamente graves, geralmente fatais: câncer e infecção por bactérias resistentes a todos os antibióticos conhecidos.

Na última década, o número de bactérias que infectam os pacientes, principalmente os internados em unidades de terapia intensiva, e que sofreram mutações consecutivas e seleção natural pelo uso indiscriminado de antibióticos, ficou tão elevado a ponto de vários especialistas alertarem para uma eminente perda de controle geral e potencial epidemia. São organismos sem tratamento eficaz.

Os cientistas começaram uma corrida frenética para descobrir opções de terapia contra essas “superbactérias”. E a notícia boa chegou esta semana. Um time de cientistas do Departamento de Química do Instituto de Pesquisa Scripps, em La Jolla, na Califórnia, liderados por doutor D.L. Boger, em estudo publicado na revista científica PNAS, conseguiu acrescentar modificações estruturais na molécula de um antibiótico potente, a vancomicina, de modo a aumentar sua potência contra as bactérias em mil vezes.

Esta nova fórmula foi capaz de matar as bactérias sabidamente resistentes à vancomicina comum, com alta eficácia. Os pesquisadores, muito entusiasmados pelos achados observados no laboratório, já iniciaram estudos em animais e em pacientes.

Os especialistas acreditam que, se as observações se confirmarem e se os efeitos colaterais da droga forem toleráveis, nos próximos três a cinco anos será possível disponibilizar esse “hiperantibiótico” para combater as temíveis infecções provocadas pelas superbactérias.

A segunda notícia representa uma quebra total de paradigma no tratamento do câncer, qualquer câncer. Até hoje, a oncologia sempre vinculou os tratamentos quimioterápicos a um determinado tipo de câncer, originário de um órgão específico, resistente aos tratamentos padronizados atualmente. Por exemplo, o tratamento de adenocarcinoma (subtipo de câncer muito comum) de mama utiliza drogas quimioterápicas muito diferentes do adenocarcinoma de intestino, ou de pulmão.
Em uma ação absolutamente incrível, a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório de medicamentos nos EUA, aprovou um medicamento de imunoterapia chamado pembrolizumabe, para o tratamento de câncer avançado, com metástases disseminadas pelo corpo, independentemente do tipo ou de seu órgão de origem.

O requerimento básico para sua indicação e eficácia é a detecção, nas biópsias do tumor, de alterações moleculares biológicas específicas.
Estudos realizados até o momento confirmaram que a presença de elevada instabilidade de microssatélites ou de deficiência de MMR (dMMR), ambas detectadas por exames de anatomia patológica, confere aos tumores alta sensibilidade à imunoterapia com pembrolizumabe.

Os pacientes portadores de tumores com essas alterações moleculares, que já estariam sem possibilidade de controle eficiente com os tratamentos convencionais, tiveram respostas variando de 36% a 47% dos casos. Esses resultados, apesar de preliminares, foram tão incríveis que a FDA liberou o uso da droga de forma acelerada.

O doutor Jacques Tabacof, coordenador da Oncologia Clínica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, comemorou a notícia: “É uma revolução na oncologia podermos concentrar nossa atenção para indicar um tratamento não mais no tipo de tumor e no seu órgão de origem, mas na presença de um aspecto molecular específico desse câncer”.

A novidade abrirá novos horizontes na pesquisa médica, fornecendo novas indicações para o tratamento mais eficiente de qualquer câncer.

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