Boletim do Câncer

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Câncer de ovário: cirurgia primeiro ou quimioterapia


Ginecologista
Membro de TMDI do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Sabe-se que 70% das pacientes, ao diagnóstico de neoplasia de ovário, encontram-se em estádios avançados, com disseminação tumoral na cavidade abdominal e pélvica.  Isso demanda uma estratégia cirúrgica agressiva, incluindo além da cirurgia pélvica radical, em muitas situações ressecções intestinais e remoções de lesões localizadas no abdômen superior como no diafragma, baço e fígado.  Isso é realizado para se obter uma completa citorredução (ausência de tumor residual macroscópico).  Entretanto, esse esforço cirúrgico acarreta um aumento expressivo de complicações e na taxa de morbidade.  O objetivo desse estudo chamado SCORPION, foi determinar se a quimioterapia neoadjuvante, isto é, quimioterapia realizada antes de um procedimento cirúrgico primário, seguida de cirurgia citorredutora, é superior ao procedimento cirúrgico primário de citorredução tumoral em termos de resultados clínicos e morbidade peri-operatória, em pacientes portadoras de neoplasia epitelial avançada de ovário, estádio III e IV.

Para tanto, entre o período de outubro de 2011 e novembro de 2014, 110 mulheres foram elegíveis para o estudo. Foram submetidas à laparoscopia estadiadora para avaliação do índice de carga tumoral. Nessas pacientes foram analisados os seguintes critérios intra-operatórios: presença de massa tumoral em omento, carcinomatose peritoneal, carcinomatose diafragmática, retração de mesentério, infiltração de estômago e intestino e metástases hepáticas e esplênicas superficiais. A cada critério foi estabelecido 2 pontos e as pacientes que apresentaram pontuação ≥8 ou ­­≤12(consideradas com alta carga tumoral), sem evidência de retração de mesentério, foram incluídas no estudo.

Foram distribuídas aleatoriamente em dois braços: Braço A(standard)no qual as pacientes foram submetidas à cirurgia primária de citorredução seguida de quimioterapia adjuvante sistêmica por 6 ciclos (55 pacientes) e Braço B, aonde as pacientes foram submetidas à quimioterapia neoadjuvante por 3 a 4 ciclos, seguida por cirurgia citorredutora com retomada da quimioterapia para completar os 6 ciclos planejados.

Apesar da extensão do procedimento cirúrgico serem diferentes, as taxas de doença residual pós-cirúrgicas, foram sobreponíveis em ambos os grupos, igual a 0cm. Respectivamente, 45, 5% e 57, 7%.

Vinte e nove pacientes (52, 7%) do Braço A, apresentaram complicações peri-operatórias severas, sendo que somente 3 pacientes (5, 7%) do Braço B, apresentaram essa situação.  A mais comum, consistiu em derrame pleural sintomático necessitando drenagem torácica (30, 9% Braço A e 1, 9% Braço B). Além disso, 2 pacientes do Braço A tiveram que ser reoperadas por hemorragia pós-operatória e 1 paciente apresentou sepse.  Houve duas mortes por falência cardiopulmonar aguda no Braço A.

A qualidade de vida também foi analisada ao longo do tempo em ambos os braços.  Função emocional e cognitiva, náusea e vômitos, dispneia, insônia e queda de cabelo, foram estatisticamente e clinicamente melhores em pacientes submetidas à quimioterapia neoadjuvante seguida de citorredução comparada à citorredução primária.

Os autores concluem que a morbidade peri-operatória, tanto no grau moderado como no severo, assim como a qualidade de vida, mostraram-se mais favoráveis no braço do estudo aonde a quimioterapia foi realizada antes da cirurgia de citorredução primária em pacientes com neoplasia epitelial avançada de ovário com alta carga tumoral.

Portanto, uma alternativa para se minimizar essa situação, é a realização da quimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia, aonde se demonstra um aumento na taxa de citorredução considerada ótima e uma redução considerável nas complicações decorrentes da cirurgia.

Essa aplicabilidade já está sendo considerada por muitos serviços que tratam de pacientes portadoras de neoplasia de ovário, inclusive em nosso Centro de Oncologia, trazendo muito bons resultados.

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