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Cigarro eletrônico: toxicidade e eficiência questionadas

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos está investigando a primeira morte atribuída ao cigarro eletrônico nos Estados Unidos. A informação foi divulgada em comunicado oficial do CDC, que acrescenta que cerca de 193 possíveis casos de doença pulmonar grave associados ao uso de cigarros eletrônicos estão sendo avaliados. O CDC solicitou à comunidade médica o relato de casos de estresse respiratório de causa desconhecida em pacientes que fazem uso de cigarros eletrônicos, incluindo informações sobre o tipo de produto usado. Quem comenta é o cirurgião oncológico Riad Younes, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Por Riad Younes, Diretor do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

A clássica dependência química da nicotina ganhou um novo veículo de entrega: os cigarros eletrônicos. Desde sua comercialização, agora ampla no mundo, aprovada ou não por órgãos regulatórios (FDA não liberou vários dispositivos; a Anvisa também não), muito se divulgou sobre sua eficiência e seu potencial em combater a epidemia de tabagismo e sua consequência nefasta para a saúde da população.

Doenças cardiovasculares e malignas estão diretamente associadas à intensidade e à duração do tabagismo. Os cigarros eletrônicos foram introduzidos como métodos de substituição do cigarro, e parte da estratégia de programas individuais de cessação de tabagismo. Sua eficiência e segurança têm sido enfatizados nas campanhas de marketing, e até em eventos médicos.

Recentemente, apesar da clara redução da exposição a produtos nocivos à saúde inalados, a capacidade destes cigarros eletrônicos em reduzir o número de fumantes tem sido questionada. Muitos cientistas argumentam que os tabagistas simplesmente substituíram o veículo de entrega da nicotina, do cigarro convencional para o eletrônico. O vício não acabou. Ao mesmo tempo, vários estudos têm alertado os especialistas para o aumento progressivo de jovens que iniciam seu vício em nicotina utilizando diretamente os cigarros eletrônicos, com óbvio apelo tecnológico e estético.

Qual seria o impacto desta modalidade em aumentar, na realidade, o número de viciados em nicotina, em vez de diminuí-lo? Nos preocupa muito que este fenômeno de crescente número de adolescentes e jovens viciados em nicotina resulte em recrudescimento do número de tabagistas nos próximos anos/décadas. Aguardamos mais estudos que estão sendo realizados atualmente.

Por outro lado, a segurança destes dispositivos também tem sido questionada. É fato que a concentração de produtos nocivos à saúde (tóxicos, carcinogênicos…) é nitidamente inferior nos cigarros eletrônicos, quando comparado aos cigarros convencionais. É fato também que estes produtos estão presentes na fumaça inalada, em concentrações ainda perigosas. Carcinógenos são rotineiramente detectados na urina de fumantes de cigarro eletrônico. Qual o impacto destes dispositivos na incidência, nos tipos e na agressividade de tumores malignos? Também aguardamos estudos mais detalhados.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos está investigando cerca de 100 possíveis casos de doença pulmonar grave associados ao uso de cigarros eletrônicos. Em comunicado oficial, o CDC solicitou à comunidade médica o relato de casos de estresse respiratório de causa desconhecida em pacientes que fazem uso de cigarros eletrônicos, incluindo informações sobre o tipo de produto usado.

Desde o final de junho, possíveis casos foram relatados em 14 estados, incluindo 30 em Wisconsin e 24 em Illinois. Todos os pacientes disseram que tinham sido expostos ao cigarro eletrônico. “Os pacientes apresentaram tosse, falta de ar e fadiga. Alguns apresentaram febre, dor no peito, perda de peso, náusea e diarreia. As radiografias de tórax demonstraram opacidades bilaterais, enquanto a TC mostrou opacidades difusas em vidro fosco, frequentemente com preservação subpleural. Quase todos os pacientes eram negativos para causas infecciosas”, descreveu o CDC em comunicado de 17 de agosto.

Os dados obtidos pelo CDC também apontam que alguns pacientes necessitaram de ventilação mecânica, indicando que o uso de cigarro eletrônico pode ser a causa do problema.

O número de casos relatados, incluindo o primeiro óbito, foi atualizado dia 23 de agosto para 193 casos em 22 Estados nos EUA.

Independente de aprovação ou não da comercialização dos dispositivos no Brasil, os especialistas devem ter muita cautela na indicação e no acompanhamento de fumantes que utilizam cigarros eletrônicos, até que estas dúvidas sejam esclarecidas e o potencial de benefício em relação aos riscos imediatos e a longo prazo seja avaliado com precisão.

Referência: https://www.cdc.gov/media/releases/2019/s0817-pulmonary-disease-ecigarettes.html

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