Boletim do Câncer

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Compartilhar medula óssea é compartilhar vida

Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância da doação de medula óssea, procedimento seguro e com reconstituição natural

No segundo mês do ano celebramos o Fevereiro Laranja, campanha instituída no Estado de São Paulo em 2019 para ações dedicadas ao diagnóstico precoce da leucemia e à conscientização sobre a doação de medula óssea. O Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que em 2021 sejam diagnosticados 10.810 novos casos da doença no país. A leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos do sangue e pode ser curada com o tratamento adequado. Ainda assim, a taxa de mortalidade segue alta no Brasil. O último levantamento do INCA revelou 4.795 óbitos no país decorrentes da doença em 2017.

Segundo o Dr. Philip Bachour, onco-hematologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a doença tem evolução rápida na maioria dos pacientes, o que acontece quando as células jovens da medula óssea — tecido líquido que ocupa o interior dos ossos e responsável pela produção das células do sangue e do sistema imunológico —, param de amadurecer e começam a se acumular. “Quando isso acontece, as células competentes param de ser produzidas nesses pacientes e ocasiona a contagem baixa de plaquetas. Entre os primeiros sintomas estão sangramento gengival, manchas nas pernas e hematomas.”

Embora algumas pessoas associem leucemia e anemia, as doenças não têm relação direta, porém, a anemia pode ser um sinal de alerta da existência do câncer. “A anemia é causada pela parada da produção das hemácias quando a medula óssea está ocultada por essas células doentes da leucemia, o que traz como sintomas o cansaço e a fadiga.” Em caso de suspeita, o onco-hematologista compartilha que é possível concluir o diagnóstico provável de leucemia por meio de exame de sangue simples, o hemograma.

Diagnostico Molecular

No diagnóstico da doença o hemograma estará alterado, mostrando na maioria das vezes um aumento do número de leucócitos, associado ou não à diminuição das hemácias e plaquetas. Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de bioquímica e da coagulação do sangue. Mas a confirmação diagnóstica é feita com o mielograma.

Nesse exame, retira-se uma pequena quantidade de sangue proveniente do material esponjoso de dentro do osso para análise da medula óssea. Os exames que utilizam a biologia molecular fazem parte do padrão ouro na identificação das leucemias, pois oferecem resultamos mais assertivos permitindo definir o percentual de células neoplásicas existentes no organismo de cada indivíduo. Desta forma é possível que as equipes médicas definam o melhor planejamento terapêutico e avaliem a necessidade de transplante para cada caso.

Tratamento da Leucemia

Para o tratamento, temos hoje diversas terapias-alvo que agem diretamente nas alterações moleculares da doença, porém esses tratamentos são custosos, o que torna o acesso mais restrito. Por apresentar um comportamento de risco que depende da fase da vida, pacientes com mais de 65 anos têm um risco maior ao contrair a doença e quanto maior o risco, maior a chance de precisar de tratamento com radioterapia e transplante de medula óssea.

De acordo com Dr. Bachour, cerca de 70% dos pacientes até 65 anos têm indicação para a terapia com transplante, mas para que o caso seja elegível, uma série de condições clínicas são avaliadas, como idade, morbidades e doenças prévias. No Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, todas as modalidades de transplantes são realizadas, como o transplante não relacionado (a partir de doador não aparentado) e com doador familiar parcialmente compatível.

Por que doar medula óssea?

O especialista explica que a doação de medula óssea consiste na verdade, em um compartilhamento de medula, visto que, entre 15 a 30 dias a medula se reconstitui naturalmente. “Na doação de medula você oferece a sua contribuição e não fica sem ela. Na verdade, você só compartilha. É um ato de compartilhamento de vida.”, enfatiza.

O processo de doação não oferece risco à saúde e pode acontecer de duas formas: pela coleta diretamente na medula óssea ou por meio da filtragem do sangue. “Na doação feita diretamente na medula, as células serão coletadas através de punções na região pélvica posterior (osso do quadril).

Pode ter um pouco de dor no pós-operatório por conta da manipulação, mas é um procedimento seguro com baixíssimo risco. A outra forma é a indução da produção de células-tronco por medicamento em que, posteriormente, filtramos e separamos as células-tronco do sangue para o transplante”, explica Dr. Bachour.

Durante a pandemia, houve mais restrições de doadores, o que levou os hospitais a adotarem novas medidas para a coleta de medula óssea. “O que temos feito no Centro Especializado em Oncologia é seguir a recomendação da Sociedade Brasileira de Transplante (ABTO) e congelar a medula coletada antes de começar o procedimento no paciente oncológico para evitar o risco de contaminação pela Covid-19.”

Redome

Embora tenhamos hoje no Brasil mais de 5 milhões de doadores cadastrados no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), muitas vezes não é possível contatar o doador compatível devido ao cadastro desatualizado, por isso, os doadores já cadastrados devem sempre manter seus dados atualizados.

Para ser um doador, é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade, estar em bom estado geral de saúde, não ter doença infecciosa ou incapacitante, e não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico. O cadastro pode ser feito em todos os hemocentros do país.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundado em 1897 por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Com 123 anos de atuação, é referência em serviços de alta complexidade e ênfase em Oncologia e Doenças Digestivas.

Para que os pacientes tenham acesso aos mais altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento, atestados pela certificação da Joint Commission International (JCI) – principal agência mundial de acreditação em saúde –, o Hospital conta com um corpo clínico renomado, formado por mais de 4 mil médicos cadastrados ativos, e uma das mais qualificadas assistências do país. Sua capacidade total instalada é de 805 leitos, sendo 582 deles na saúde privada e 223 no âmbito público. Desde 2008, atua também na área pública como um dos seis hospitais de excelência do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

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