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Dieta sem proibição? – Riad Younes

Estudo mais recente investigou o efeito das gorduras e carboidratos. Trouxe surpresas, mais que conclusões definitivas. Sobrepeso e obesidade, epidemia de proporções mundiais que está mudando todas as variáveis de saúde pública.

Aumenta drasticamente os riscos para doenças graves, como infarto, derrame, câncer, apneia do sono, hipertensão e diabetes, além de representar um enorme ônus para o custeio da saúde da população.

Há especialistas que preveem a falência total dos sistemas de saúde, a continuar essa tendência recente de ganho desproporcional de peso.

Sempre que há um problema grave, de difícil controle convenhamos, não é fácil manter o peso em níveis adequados -, surgem múltiplas soluções, levando à confusão e à desorientação geral.

Exemplo são as dietas para emagrecer. Existem tantas que as pessoas se perdem tentando decidir qual seguir, e qual seria a mais adequada. O mais recente estudo extenso sobre essa polêmica foi realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, liderados pelo doutor C. D. Gardner, e publicado na revista médica Jama.

O estudo comparou duas dietas: restrição de carboidratos e restrição de gorduras.

Para entendermos os resultados desse estudo, conversamos com a doutora Lívia Porto, médica endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo:

Carta Capital: Como o endocrinologista lida com as recomendações de dieta para a perda de peso?

Livia Porto: Invariavelmente, o termo dieta é mencionado em consulta com endocrinologista, com o objetivo de perda de peso ou auxílio no tratamento de doenças como o diabetes, a dislipidemia e a hipertensão arterial. Apesar de ser repetida incansavelmente nas consultas, há uma grande dificuldade em recomendar qual seria a dieta ideal.

CC: Como a senhora, então, recomenda esta ou aquela dieta para um paciente específico?

LP: Antes de pensar em qual tipo de restrição de macronutriente responde melhor para qual paciente ou doença, procura-se ter um olhar atento em como vamos manter a adesão a um novo estilo de se alimentar mais saudável.

CC: O que a ciência concluiu sobre a melhor dieta?

LP: Em estudo recentemente publicado na revista científica Jama, 609 pessoas com sobrepeso ou obesidade foram sorteadas e submetidas a dois tipos diferentes de dieta.

Um grupo recebeu dieta de baixo teor de carboidrato, enquanto o outro grupo foi submetido a uma dieta de baixo teor de gorduras, ambas semelhantes em calorias totais ingeridas.

Os voluntários foram avaliados quanto à perda de peso ao longo de 12 meses, além de outros parâmetros e exames de sangue. Os cientistas observaram, ao término do estudo, que não houve diferença estatística entre os dois grupos quanto à perda de peso (em média, perderam ao redor de 5 a 6 quilos para cada dieta) ou aos exames laboratoriais, assim como não houve diferença entre a prevalência de doença metabólica entre os dois grupos.

CC: Não se conseguiu prever qual seria a melhor dieta para algum subi grupo de pacientes?

LP: Ainda buscando uma medicina de precisão, para melhor seleção de dieta e de paciente, o estudo se propôs a avaliar se o nível de insulina basal dos indivíduos poderia ser um fator preditor de melhor ou pior resposta a um dos tipos de dieta.

Novamente, foi evidenciado que a resposta de perda de peso não tem relação com a dieta ou com níveis de insulina basal. Alguns estudos anteriores sinalizavam que diferentes genótipos e níveis de insulina pudessem modificar o efeito que cada dieta tem no indivíduo, mas isso não foi confirmado neste estudo.

CC: Como a senhora orienta seus pacientes atualmente?

LP: No Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, durante o acompanhamento do paciente obeso e com doença metabólica, recomendamos sempre a dieta mista sem restrições de macro nutrientes.

Reforçamos que a “dieta” é, na verdade, a busca por um novo estilo de vida e que, portanto, devemos procurar seguir algo possível de ser reproduzido ao longo da vida, e não apenas temporariamente.

Atentamos sempre para que a escolha seja saudável, com redução de alimentos ultra processados que aumentam a inflamação e as doenças metabólicas.

Um questionamento que os pacientes nos fazem quase sempre, é se podem ou não comer determinado alimento. A resposta científica ainda não temos, mas nada deve ser proibido se aquilo está sendo consumido dentro de uma dieta equilibrada.

Médico, diretor-geral do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor da Faculdade de Medicina da USP Livia Porto. Dieta mista é a ideal, sem restrição de macronutrientes.

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