Boletim do Câncer

Boletim do Câncer
home · Notícias Sobre o Câncer · Hipogonadismo, deficiência androgência do envelhecimento masculino e o testículo

Hipogonadismo, deficiência androgência do envelhecimento masculino e o testículo

Dr. Francisco Fonseca, Urologista, Centro de Oncologia do Hospital Alermão Oswaldo Cruz.

Na maioria dos mamíferos, a gônada masculina, o testículo, está localizada fora do corpo para manter a temperatura mais baixa que a corporal, que nestes animais é mantida constante. No homem, a queda de 1 a 2 graus Celsius, é condição primordial para manutenção da espermatogênese pelo melhor desempenho das enzimas envolvidas na formação dos espermatozoides e da produção de testosterona (mais de 90% da testosterona circulante). O escroto é um órgão especializado para manter esta temperatura, com plexo de veias no cordão espermático para dissipar a temperatura, com um músculo, o cremaster, sob controle involuntário de nervos, cuja função é suspender ou baixar o testículo, conforme a temperatura do meio ambiente (reflexo cremastérico). Além disso, o escroto, possui pouca gordura em sua paredes (que é isolante térmico) e é rico em glândulas sudoríparas para disseminação do calor. Todas estas especializações visam o controle térmico.

Além da formação dos espermatozoides, o testículo é responsável pela produção da testosterona, hormônio fundamental para o desenvolvimento da genitália e dos caracteres secundários masculinos. Como todo hormônio age onde houver receptores celulares, agindo em diferentes órgãos do nosso organismo e com enorme impacto para funcionalidade orgânica.

A testosterona é um hormônio com ciclo circadiano (com maior nível durante o dia, com pico entre às 8 e 12 horas, e menor pico entre as 20 e 24). Os idosos oscilam com níveis bem inferiores aos adultos jovens. Ao longo da vida ocorrem oscilações na sua produção, com picos no período fetal e neonatal até os 6 meses de vida, queda quase completa durante a infância e aumento durante a adolescência, que é responsável pelo desenvolvimento dos caracteres secundários masculinos e pelo estirão do crescimento. Sabe-se que a produção de testosterona no final da gestação é responsável pela descida dos testículos para o escroto na criança a termo ou na maioria dos bebes até o terceiro mês de vida. O envelhecimento causa naturalmente queda da testosterona, o hipogonadismo, que é visto em 8%, 13%, 19% e 27%, nas faixas etárias de 40-49, 50-59, 60-69, 70-79 anos, respectivamente. Geralmente ocorre quando a testosterona estiver menor que  300 ng/dl e/ou testosterona livre menor que 6,5 ng/dl. Estima-se que após os 40 anos ocorra uma queda de 1% ao ano.

Na esfera sexual sua queda sanguínea causa diminuição da libido, disfunção erétil, dificuldade de atingir o orgasmo, diminuição das ereções espontâneas noturnas (observadas na fase mais profunda do sono, a REM, quando sonhamos) e matinais, diminuição das características secundárias, oligospermia (diminuição da produção de espermatozoides) e azoospermia (ausência da sua produção). No estado mental, a queda da testosterona causa diminuição da energia, da vitalidade e do bem estar, fadiga, depressão, letargia, redução da motivação, fogachos (se for por queda aguda dos níveis da testosterona) e diminuição da habilidade cognitiva (raciocínio), esquecimento e diminuição do tempo do sono noturno. A queda da testosterona pode acarretar piora cognitiva dos pacientes portadores do mal de Alzheimer e Parkinson.

No aspecto físico e metabólico, a queda da testosterona causa diminuição da densidade óssea, osteopenia (queda da quantidade de cálcio nos ossos tornando-os mais propensos a fratura), diminuição da massa muscular e força (incluindo o músculo cardíaco), aumento da gordura corporal, ginecomastia, anemia e resistência a insulina.A testosterona produz leptina, um hormônio proteico controlador do apetite que promove o emagrecimento.

Há maior incidência de hipogonadismo em homens com outras condições clínicas concomitantes como diabetes, obesidade, AIDS, insuficiência renal, bronquite, artrite reumatoide, anorexia nervosa, hipotireoidismo, abuso de álcool, doença hepática crônica, doenças agudas, irradiação testicular ou quimioterapia (cisplatina, ciclofosfamida, bissulfan) e várias drogas comuns usadas na rotina clínica diária. A baixa da testosterona ainda é vista nos pacientes obesos, com doenças sistêmicas graves, na anorquia (ausência dos testículos), criptorquidia (testículos localizados fora da bolsa), varicocele, doenças genéticas, desnutrição, doenças neurodegeneraticas, trauma e orquites virais.

Alguns medicamentos podem estar relacionados com a queda da testosterona: neurolépticos, tiazídicos, inderal, reserpina, corticoides, cetoconazol, amiodarona, fenotiazida, haldol, tricíclicos, iMAO, estatinas em altas doses, maconha, entre outros. Nunca esqueçam que todo medicamento pode acarretar efeitos colaterais individuais e pode ser a causa da queixa clínica.

O hipogonadismo tem relação direta de síndrome metabólica, com repercussões negativas para múltiplos órgãos da economia humana. Presença de três dos cinco fatores a definem: anormalidade da glicemia/resistência insulínica, aumento da circunferência abdominal/IMC (gordura visceral), elevação da pressão sanguínea, elevação dos triglicérides e diminuição do HDL colesterol. São preditores do diabetes e relacionados com maior risco de doenças cardiocirculatórias.

A baixa da testosterona prediz o aumento da mortalidade e a terapia de reposição melhora a sobrevida dos homens afetados de forma significativa. O tratamento cirúrgico e/ou com uso de medicamentos são fundamentais para o aumento e melhora da qualidade de vida, incluindo a condição física e mental.

Equipes Médicas

Agende uma consulta

Agende a sua consulta ou exame com nossos times multidisciplinares integrados pelos telefones:
(11) 3549-0665

AGENDE SUA CONSULTA