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Mesotelioma Pleural Maligno: Entendendo o papel da radioterapia

Fernando Conrado Abrão
Cirurgião Torácico
Membro de TMDI do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz 

Atualmente, o tratamento do Mesotelioma Pleural Maligno é baseado em quimioterapia seguida de cirurgia e radioterapia, quando possível. O que chamamos de terapia multimodal.

A radioterapia, assim como a cirurgia, visa retardar o retorno do tumor na cavidade torácica. Porém, a radioterapia carecia de estudos que comprovassem sua eficácia, nesta situação. No entanto, em dezembro de 2015, a primeira pesquisa que avaliou o papel da radioterapia no tratamento multimodal do mesotelioma maligno pleural foi publicada na renomada revista Lancet Oncology.

O objetivo deste estudo era responder a seguinte pergunta: a radioterapia retarda a recidiva do tumor no tórax do paciente? Para isso, os autores comparam 27 pacientes que foram submetidos a quimioterapia associada a cirurgia e radioterapia com outros 27 pacientes que receberam o mesmo tratamento porém sem radioterapia. Além da pergunta principal, o estudo visou comparar a qualidade de vida dos pacientes nos dois grupos. Os resultados da pesquisa mostraram  que não houve diferença de tempo para recorrência da doença no tórax entre os dois grupos. Em relação a qualidade de vida, a pesquisa mostrou que no grupo de pacientes poupados da radioterapia, a qualidade de vida progressivamente melhorou. Já nos pacientes que foram submetidos a radioterapia como parte do tratamento, este fato não ocorreu.

A principal limitação deste estudo é que para responder à pergunta dos autores, eram necessários 37 pacientes em cada grupo, segundo os cálculos estatísticos. No entanto, a pesquisa avaliou apenas 27 pacientes em cada grupo. Isto ocorreu pois 64% dos 151 candidatos não conseguiram terminar o tratamento multimodal. Apesar destas limitações, o estudo tem base para sustentar a resposta encontrada. Além disso, o fato de 64% dos pacientes não conseguirem terminar o tratamento multimodal, sendo a maioria por progressão da doença, questiona o tratamento atual. Do ponto de vista prático para os nossos pacientes, o tratamento com quimioterapia associado a cirurgia, quando possível, deve ser oferecido. Apesar das elevadas taxas de falha, ainda é a melhor opção disponível. No entanto, o estudo permite que abramos mão de radioterapia, para os pacientes que conseguirem fazer a quimioterapia e a cirurgia.

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