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Nanotecnologia em quimioterapia para câncer de pâncreas: menor toxicidade

Dr. Ariel Galapo Kann
Oncologista Clínico
Membro de TMDI do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

O câncer de pâncreas avançado é uma doença agressiva e de prognóstico reservado. Algumas opções de tratamento encontram-se disponíveis neste contexto, particularmente quimioterapia como gencitabina e, mais recentemente a combinação de 5-fluorouracil (FU), oxaliplatina e irinotecano (FOLFIRINOX). O irinotecano nanolipossomal corresponde ao irinotecano encapsulado em nanopartículas lipossomais. Esta tecnologia foi obtida para manter o irinotecano na circulação por mais tempo e assim aumentar a sua eficácia no combate ao câncer de pâncreas.

Este estudo (chamado NAPOLI-1, cujos resultados forma publicados recentemente na revista Lancet) foi conduzido em vários países e contou com 417 pacientes portadores de câncer de pâncreas avançado. O objetivo era avaliar a eficácia do irinotecano nanolipossomal isolado e em combinação com fluorouracil (FU) e ácido folínico (AF) comparado ao controle (FU + AF). Todos os pacientes já haviam recebido um primeiro tratamento com quimioterapia baseada em gencitabina. Os pacientes foram divididos em 3 grupos:

Avaliou-se a resposta ao tratamento, tempo de eficácia do tratamento e sobrevida mediana. O que se observou foi que o grupo que recebeu apenas a nova droga (irinotecano nanolipossomal) apresentou sobrevida mediana de 4,9 meses. O grupo controle, que recebeu FU + AF, apresentou sobrevida mediana semelhante, ou seja, 4,2 meses. Já o grupo que recebeu a combinação de irinotecano nanolipossomal com FU e AF obteve a maior sobrevida mediana – 6,1 meses. Houve, porém, nos pacientes submetidos ao novo esquema de quimioterapia uma taxa maior de queda de imunidade, diarréia, vômitos e fadiga.

Este estudo aponta para uma nova droga que, combinada ao FU + AF, levou ao aumento de sobrevida. Porém, a escolha do braço controle (FU + AF) não me parece a mais adequada. Uma outra droga, já bastante utilizada, a oxaliplatina, também levou a ganho de sobrevida. Ao contrário da oxaliplatina, esta nova droga não tem a neuropatia periférica como evento adverso. Outra questão relevante é que desde 2011, o regime padrão para câncer de pâncreas metastático passou a ser FOLFIRINOX ao invés de gencitabina. Como este regime contém irinotecano, é possível que a incorporação do irinotecano nanolipossomal não traga benefícios por mecanismos de resistência semelhantes. Deve-se pesar ainda, os eventos adversos que a nova droga pode trazer. Em outubro de 2015 o irinotecano nanolipossomal (em combinação com FU + AF) foi aprovado pelo FDA.

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