Boletim do Câncer

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Hormonioterapia para câncer de mama: eficiência em doença muito precoce

José David Kandelman
Membro do TMDI do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Já está comprovado, em vários estudos científicos, que os inibidores de aromatase, como o anastrazol (conhecidos como drogas modernas de hormonioterapia) são mais efetivos do que o tamoxifeno (hormonioterapia clássica) na prevenção da recorrência de tumores  de mama invasivos, receptores hormonais positivos, em mulheres após a menopausa. No entanto, ainda não há consenso se o anastrozol é mais efetivo do que o tamoxifeno em mulheres portadoras de carcinomas ductais hormônio positivos e “ in situ”, muito precoces e não invasivos, (CDIS). Para elucidar esta dúvida clínica, acabou de ser publicado, por um time liderado por Dr JF Forbes, um novo estudo na respeitada revista científica Lancet. Neste estudo se compara a eficácia do anastrozol em relação ao tamoxifeno no CDIS, em mulheres pós-menopausa. O estudo foi realizado entre 2003 e 2012, incluídas 2980 pacientes em 14 países. As pacientes foram sorteadas, e um grupo recebeu anastrozol, enquanto o outro grupo de pacientes recebeu tamoxifeno, por 5 anos. Após acompanhamento por mais de 7 anos, os pesquisadores viram que houve 144 recorrências (67 no grupo do anastrozol e 77 no grupo do tamoxifeno). Apesar da diferença numérica não houve diferença estatística clinicamente significativa entre os 2 grupos. A sobrevida foi também semelhante  nos 2 grupos. Os efeitos colaterais mais referidos no grupo anastrozol foram: fraturas, eventos músculo esqueléticos e aumento do colesterol. No grupo tamoxifeno foram relatados espasmos musculares, câncer ginecológico, sintomas vasomotores e fenômenos tromboembólicos. Conclusões:- Não houve diferença significativa entre os dois tratamentos. O anastrozol se mostrou como mais uma opção de tratamento, em mulheres pós-menopausa, portadoras de CDIS hormônio positivo, e também mais apropriado para mulheres com contra indicação para o uso do tamoxifeno. Acreditamos que este estudo acabou por ratificar a conduta habitual em nosso centro oncológico. Utilizamos tanto o tamoxifeno quanto o anastrozol na prevenção da recorrência do CDIS na pós menopausa. A escolha é feita em função dos eventuais efeitos colaterais. Nossa preferência em geral recai sobre o anastrozol, por provocar menos “ ondas de calor” e pela menor incidência de tromboembolismo, particularmente na população mais idosa, excluídas aquelas com problemas articulares e esqueléticos. O tamoxifeno também é largamente utilizado, respeitados os parâmetros clínicos e por ter menor custo, item importante em nosso meio. Novos estudos deverão trazer maiores informações.

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