Boletim do Câncer

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Mamografia e ultrassom na detecção precoce, será que valem a pena?

Maria do Socorro Maciel
Mastologista
Membro de TMDI do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Grande é o questionamento de qual seria o melhor exame para acrescentar as mamografias em mulheres assintomáticas e que apresentam mamas densas.

Mamas densas são aquelas onde ocorre predomínio do tecido glandular sobre o tecido gorduroso sendo muito comum principalmente nas mulheres jovens, onde é considerado normal, entretanto, dificulta a detecção do câncer da mama em fase inicial à mamografia tradicional e também parece estar associado a um maior risco para o desenvolvimento do  câncer da mama, por razões ainda não bem entendidas.

“Foi avaliada a especificidade e sensibilidade da mamografia mais a ultrassonografia das mamas como método de rastreamento para câncer de mama por estudo efetuado no Japão (J-START).

Este estudo foi realizado entre julho de 2007 e março de 2011, em mulheres dos 40-49 anos, sem história prévia de câncer de mama. No Japão como nos outros países da Ásia, a incidência do câncer de mama está crescendo. Apesar da mamografia  ser o único método que está associado a redução da mortalidade, a acurácia (poder de se encontrar e diagnosticar o câncer), está reduzida em mulheres com mamas extremamente densas e mulheres jovens.

As mulheres asiáticas apresentam mamas densas como característica étnica, em consequência a acurácia na detecção precoce é difícil de ser atingida somente com a mamografia, além do mais, o pico da incidência do câncer de mama nestas mulheres é entre 40-49 anos de idade diferente do pico de incidência nas mulheres ocidentais, onde o pico é acima dos 50- 60 anos.

Neste estudo 72.1998 mulheres foram avaliadas, onde 36.859 efetuaram mamografia e ultrassom das mamas e outro grupo de 36139 somente a mamografia, realizados anualmente por 2 anos, realizado através de estudo randomizado controlado.

No grupo onde ambos exames foram realizados detectou-se mais cânceres e estes em fase mais inicial, quando comparados ao grupo que efetuou somente mamografia, mas aumentou a detecção de lesões que foram suspeitas e que não foram positivas para malignidade, aumentando o número de novas intervenções.

Os autores sugerem ser o ultrassom das mamas adicionado à mamografia é método que mostra eficácia no rastreamento das mulheres entre 40-49 anos, sendo este de baixo custo e que poderia aumentar a sensibilidade e detecção principalmente do câncer em fase inicial nas mulheres com mamas densas> Frisam também que se faz necessário o seguimento por maior período de tempo para analisar se o ultrassom das mamas pode reduzir a frequência do diagnóstico de tumores avançados ”.

Apesar do ultrassom ser um método de baixo custo é importante salientar que consome tempo e quando realizada por profissionais não dedicados ao estudo específico das mamas, pode levar a um falso alarme.

Além do mais em muitos países como Austrália e Inglaterra o uso de métodos adicionais para detecção precoce não é recomendado, diferente dos Estados Unidos da América, onde existe uma legislação para que se informe sobre a densidade das mamas e a possibilidade de se realizar outros exames, e que poderão ser significativos.

O importante é informar sempre a paciente sobre a necessidade e a eficácia de qualquer método complementar e aonde realiza-los.

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